terça-feira, 3 de novembro de 2009

Muitos em um

Rico ou pobre, gordo ou magro, bonito ou feio, alto ou baixo, bom de bola ou perna de pau, fanático ou nem tanto, histérico ou calmo, fumante ou passivo, cadeira numerada ou geral, torcida organizada ou família em fim de semana, exagerado ou discreto. Torcedores.
Com chuva ou com sol, confiante ou receoso, chorando ou sorrindo, feliz ou angustiado, com raiva ou desabafando, silêncio ou explosão, para esquecer ou eternizar, viver e morrer. Paixão.
Mascarado ou herói, ladrão ou “caseiro”, gol pró ou gol contra, retranqueiro ou partindo pra cima, titular ou ponta de banco, tapete ou esburacado, de bico ou colocado, gol de placa ou frango do goleiro, falta ou vantagem. Futebol.

Conto cigarro

Aos 16 anos comecei a fumar. Aos 22 já fumava 2 maços por dia. Não conseguia mais correr um jogo de futebol inteiro. Minha mulher reclamava de meu mau cheiro, de meu constante cansaço e de minha falta de paladar. Foi então que veio o enfarte. Somente aos 40 percebi que precisava mudar.
Hoje acho uma sensação indescritível poder fazer uma atividade física sem parar no meio. Minha mulher agora sente apenas meu perfume e elogia meu fôlego revigorado. Agora consigo diferenciar os gostos dos alimentos e, principalmente, não temo um enfarte a qualquer momento.

Não me olhe, me veja

O que posso enxergar não é nada mais que um olhar, que olha de volta para mim sem me enxergar. Quero que me veja, me sinta e seja aquela que sempre poderei olhar. Me note mais que me olhe.

Conto narrado - vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=4GZi3Ss6tNg

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Paz e Amor

Segunda-feira, 6 horas da manhã. Manchete de qualquer jornal que se preze: “ Amélia Diniz falece em acidente de carro”.

Amélia Diniz, mulher de Afonso Diniz grande usineiro, volltava de sua fazenda em Ribeirão Preto, interior de São Paulo,  com seu casal de gatos de estimação: Paz, obviamente branco e o Amor com manchas pretas.  Durante a viagem pela longa Rodovia dos Bandeirantes um dos gatinhos caiu do banco e Amélia virou-se para verificar se ele havia se machucado. Ironicamente, no ato de salvar, acabou matando. Sem perceber, perdeu o volante e ao voltar para a posição de dirigir já não era possível evitar: entrou em um caminhão.

Neste dia o Amor morreu. Afonso recebeu como milagre a gatinha Paz, sobrevivente ao acidente.

Dois anos depois, sofrimentos superados, Afonso resolve casar-se novamente. Em memória da falecida esposa, celebra o casamento na fazenda de Ribeirão Preto. É então que no meio da cerimonia atravessa um deslumbrante pássaro branco e pousa sobre o degrau do altar. O caseiro, que trabalhava ali desde sempre diz jamais ter visto uma ave tão linda e afirma por fim: “ Tenho certeza que é Dona Amélia abençoando o casamento de vocês. Ela levou consigo o Amor, deixando-lhes a Paz”.